Bragança de lenda, arte e tradição

Encravada nas montanhas do Nordeste Transmontano, a antiga Bragança olha com orgulho, do alto da sua cidadela, todos quantos a ignoram sem a conhecerem.

Vista da cidade de Bragança

Nascida nos confins do tempo, destruída pelas lutas cristãs-islamitas, reconstruída — em território pertencente ao Mosteiro Beneditino de Castro de Avelãs por cedência de outras e quiçá mais vastas áreas — por Fernão Mendes, cunhado do primeiro rei português, Bragança só em 1187, com D. Sancho I, vem a conhecer o primeiro foral.

Ter-lhe-ia sido dado esse foral pela sua efectiva importância militar, uma vez que se situava na linha fronteiriça com a Galiza? Apesar do gesto meio tardio e das contínuas guerras e consequentes devastações que a assolaram, Bragança — ainda que obrigada a render-se aos Espanhóis em 1762 e ocupada pelos Franceses em 1808 — contra todos se revolta persistindo em continuar bastão português.

Ducado em 1442, tendo como primeiro duque D. Afonso, filho ilegítimo de D. João I e genro de Nuno Alvares Pereira, tornou-se uma das mais importantes casas da Europa. Dela sairão mais tarde alguns dos reis portugueses. Em 1455, é-lhe concedida uma feira franca, o que revela bem a importância do burgo, e D. Afonso V eleva-a à categoria de cidade em 1466.

Ainda que fracamente impulsionada pelos seus duques, Bragança veio a conhecer relativo desenvolvimento com os Judeus, que nela encontravam acolhimento e asilo quase seguro. E, entre os séculos XV e XIX. Bragança tornou-se importante centro da cultura do sirgo e da indústria da seda.

Testemunhos do passado

O castelo de Bragança, com as suas duas cinturas castrenses, pelo interior das quais se estende a cidadela, hoje ainda surpreendentemente bem conservada e habitada, é um dos mais bem preservados do País.

Franqueando os dois arcos da entrada que não conservam já as antigas portas, depara-se-nos a altiva torre de menagem, gótica, com 33 m de altura e 17 de base, erguida no reinado de D. João I, ao qual a praça-forte aderira com prontidão. Já não existe a ponte levadiça, mas uma enorme porta que, no entanto, não dá acesso à torre. Este faz-se por extensa escadaria exterior, pela qual se pode penetrar em vários pisos. E se, no fundo, se podem ver a cisterna e o ergástulo (cárcere) — de meter medo ao mais bem intencionado forasteiro —, lá no alto, espreitando pelas ameias, de onde, em remotas eras, os defensores davam as boas-vindas aos atacantes com grandes caldeirões de líquidos ferventes, poderá agora desfrutar-se uma inolvidável paisagem, do melhor miradouro da cidade.

Torre da princesa

Como que erguida por mãos diferentes e um pouco apressadas, encontra-se do lado setentrional a Torre da Princesa, que está na origem da lenda tão ciosamente guardada pelo povo. Segundo a mesma, uma bela princesa, apaixonada por jovem guerreiro e recusando os pretendentes fidalgos que lhe oferecia seu tio, persistiu em esperar pelo noivo, que, partido para as lides da guerra, já muito tardava.

Entretanto, o tio, servindo-se de um estratagema, tentou provar-lhe que o noivo do seu coração estava morto. Assim, entrou no quarto da princesa altas horas da noite, fingindo-se fantasma, para a aconselhar a escolher marido. Mas logo a outra porta do quarto se abriu e um raio de sol o iluminou, vendo-se assim descoberto na sua traição.

Esta é também a origem dos nomes da Porta do Sol e da Porta da Traição. E, embora a lenda erudita reze que a princesa se manteve na sua torre esperando o ansiado noivo, o povo mantém que o Romeu, numa noite tempestuosa, a conseguiu raptar, fornecendo-lhe uma espécie de guarda-chuva com o qual ela se lhe lançou nos braços.


 
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