Conhecer a Figueira da Foz

A Figueira da Foz é uma das principais cidades do distrito de Coimbra e está situada a 20 metros de altitude, na foz do rio Mondego, na zona da costa que forma a baía de Buarcos, estando abrigada a Norte pela serra da Boa Viagem revestida de abundante vegetação.

Figueira da Foz

Figueira da Foz

A Figueira é constituída pelas freguesias de Buarcos, Lavos, São Julião da Figueira da Foz, Tavarede, e Vila Verde. O topónimo Figueira nada tem a ver com a árvore que dá figos, pois deriva de «ligaria» que significa abertura ou embocadura.

A economia da cidade assenta sobretudo na actividade portuária, na pesca, no comércio do sal, na exploração do carvão, na construção naval, na indústria de cimentos, de celulose e vidreira. A cidade é, além disso, um dos grandes centros turísticos do País, durante a época estival.

Está dotada de boas vias rodoviárias e de uma bela ponte sobre o Mondego, encontrando-se também servida por caminho-de-ferro que a liga às linhas do Norte, da Beira e do Oeste.

A Figueira da Foz dispõe de um aeródromo com uma pista de 500 m e de outra com 400 m.

História da Figueira da Foz

Habitada desde o Neolítico, certamente devido à abundância de pene e moluscos na foz do Mondego, a área ocupada pela Figueira da Foz surge documentada em 1096 em virtude da doação da Igreja de São Julião, situada na margem direita do Mondego e perto da praia, feita Sé de Coimbra pelo abade Pedro que ele povoara e restaurara por concessão do conde Sesnando.

Em 1237 o bispado de Coimbra concedeu o sítio da Figueira a três colonos, Domingos Anes Gago, Marinho Migueis e Martinho Gonçalves. Em 1346, coimbrão passava carta de foro e povoação em favor de Afonso Peres e sua mulher Maria Esteves, da área da actual cidade.

Entretanto prosperavam outros núcleos populacionais actualmente integrados na área urbana da Figueira da Foz. E assim a zona de Buarcos vem referida numa doação feita em 1143 ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Buarcos que recebeu foral em 1342 e foi sede de concelho até cerca de 1836, no século XVI era uma das vilas mais ricas de Portugal, mantendo grande número de caravelas.

Por sua vez Tavarede foi doada e coutada à Sé de Coimbra por D. Sancho I e pela rainha D. Dulce, e veio a receber foral manuelino a 9 de Maio de 1516. Em São Julião de Figueira fundou-se em 1527 o Convento de Santo António, contudo, a povoação era insignificante.

O crescente assoreamento do porto de Aveiro fez aumentar o tráfego na Figueira da Foz, o que levou ao consequente desenvolvimento da construção naval e ao rápido crescimento do número dos seus moradores. Ao mesmo tempo verificou-se o aumento dos banhistas e veraneantes. E assim o progresso da Figueira da Foz levou a que fosse elevada a vila a 12 de Março de 1771. Veio a adquirir a categoria de cidade a 20 de Setembro de 1882.

Monumentos da Figueira da Foz

Do convento seiscentista franciscano resta a Igreja de Santo António, construída em 1536 e reformada em 1725, com as Capelas do Senhor da Vida, que apresenta um devoto Cristo Crucificado setecentista, e de São Francisco (século XIX).

A Casa do Paço, de finais do século XVII, com a sua fachada meridional ladeada por dois torreões, tem de notável o revestimento de azulejos holandeses, no total de uns 700. O edifício do Forte e Capela de Santa Catarina data de meados do século XVI. O pelourinho foi levantado em 1782.

O Palácio Sotto Maior é uma vivenda de luxo em estilo francês construída no meio dum grande parque e jardim na l.ª década do século XX.

Tavarede conserva as ruínas do paço onde viveram os senhores da terra, os fidalgos da Casa de Tavarede. A parte inicial do vasto edifício remonta ao século XVI, tendo sido remodelada em estilo neomanuelino nos fins do século XIX.

Buarcos, além da Capela de Nossa Senhora da Encarnação aonde acorrem muitos romeiros a 8 de Setembro, apresenta de valioso o pelourinho, a fortaleza, a Capela da Misericórdia com o excelente retábulo A Descida Cruz, e a Capela de Nossa Senhora da Conceição com apreciável talha do século XVI e bons azulejos de 1714.

O Museu Municipal Dr. Santos Rocha, dos mais bem apetrechados do País, apresenta peças arqueológicas de valor além de colecções de escultura, sobretudo regional, cerâmica, etnografia, heráldica, armaria e música.

Típico da Figueira da Foz

Característicos da Figueira da Foz são os seus barcos: a bateira de lavrador em Lavos, a muleta para a pesca na Figueira da Foz, e o batel para transporte de sal.

As festas da cidade são no São João (24 de Junho) mais venerado na Figueira, no São Pedro (29 de Junho) festejado sobretudo em Buarcos, e no Santo António (13 de Junho). A romaria mais concorrida na região é em honra de Nossa Senhora da Encarnação, em Buarcos, a 8 de Setembro.

Rica a gastronomia local com as espetadas de mexilhões; as arrozadas de amêijoas, canivetes e mexilhões; a caldeirada de sardinha petinga e raia assada com batatas a murro.

Na doçaria são típicos o sarrabulho doce, as tortas de Alhadas, os pastéis e brisas da Figueira.

Locais a visitar na Figueira

A Figueira da Foz possui o cabo Mondego com uns 40 m de altura e tem a 10 km a norte a serra da Boa Viagem, com 7 km de comprimento, onde abundam os fósseis e se podem observar mais de centena e meia de pegadas de enormes dinossauros. Apresentam excelentes panoramas o alto da Vila (198 m de altitude) situado sobre o cabo Mondego, o alto da Bandeira (a 253 m de altitude), o monte Redondo (215 m), a Cumieira (184 m), a Boa Viagem (183 m) e São Bento (122 m).

Mas talvez o maior encanto da serra resida na vegetação que a recobre, muito variada em espécies, e cujas belezas ressaltam nos vales profundos do Concheiro, da Fanhadeira, das Fontainhas, do Lar, da Urraca e do Tabuleiro. Ficam na área do concelho as lagoas de Quiaios.

Praia da Figueira da Foz

Figueira da Foz é famosa, principalmente, pela praia de areia fina, cujo areal, em largura, é o maior de Portugal, medindo 1800 m de comprimento entre o Forte de Santa Catarina, na foz do Mondego, e o Forte de Buarcos já perto do cabo Mondego, no extremo ocidental da serra da Boa Viagem. A Praia da Claridade, assim designada devido à sua excepcional luminosidade, é um dos maiores centros turísticos de Portugal.


 

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