Parque Nacional da Peneda-Gerês

Num recanto da fronteira do Norte de Portugal, no interior dos distritos de Viana do Castelo e Braga, no Minho, e de Vila Real, em Trás-os-Montes, com um declive mais ou menos abrupto ou suave sobre os cursos de água que a atravessam, encontra-se uma vasta área montanhosa, com cerca de 70 000 ha, englobada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, parte de um todo geográfico ainda mais vasto.

Os garranos do Gerês

De natureza granítica e beneficiando de um clima temperado, com uma queda pluviométrica acima de 2000 mm anuais, atingindo os máximos registados no território nacional do continente (mais de 3000 mm) pela orientação do seu relevo, formando gigantescos anfiteatros virados a sul, sudoeste, oeste e, menos vezes, a norte ou este, com altitudes variadas desde as escassas centenas de metros até ao máximo de 1538 m, correspondem-lhe condições ecológicas que a distinguem.

No Parque do Gerês encontram-se os mais notáveis vestígios da vegetação arbórea espontânea que revestia quase completamente a maior parte desse território.

Muitas outras plantas, entre as quais algumas que só ali se encontram no País (endemismos), emprestam no conjunto à vegetação local a riqueza que tanto a notabiliza, quer em relação à variedade da flora, quer quanto à abundância com que cobre algumas áreas mais densamente revestidas.

A fauna que a acompanha, igualmente moldada pelas mesmas condições ecológicas, está representada por diversas espécies, entre as quais se destaca o corço, perdidos para sempre num passado mais remoto o urso e mais tarde a cabra selvagem, espécies extintas pela perseguição movida pelos habitantes da região e por quantos ali afluíam para as caçar. Das águias que dantes voavam altaneiras, como fazendo uma vigilância das alturas onde se moviam ou pousavam, restam apenas alguns raros ninhos.

O homem deixou ali, ao longo de séculos, sinais da sua presença, desde os tempos pré-históricos até hoje, presença a que correspondem monumentos arqueológicos, construções românicas e outras mais recentes bem afeiçoadas aos condicionalismos mesológicos e sociológicos locais, imprimindo-lhes o carácter próprio que muito valoriza o parque do ponto de vista humano.

Ali se poderá admirar e sentir um Portugal diferente, mais eloquente e original na sua personalidade geográfica, e apreciar o muito que traduz e oferece do ponto de vista cultural. Visitar o Parque Nacional da Peneda-Gerês e a região onde está localizado e que em parte engloba não deveria ser apenas para contemplar uma paisagem diferente e menos comum, mas igualmente para procurar quanto ali se encontra como amostra menos adulterada do que foi o País naquele recanto, sob todos os aspectos que caracterizam qualquer região, nomeadamente quando de natureza montanhosa e habitada pelo homem na mais íntima dependência das condições ecológicas locais. E neste sentido o parque é tido como um dos mais notáveis da Europa.

Alguns factos e particularidades sobre o Gerês

  • O chá dos raminhos e flores secos do hipericão do Gerês(Hyperícum androsaemum) é usado com fins medicinais.
  • A íris boissieri é urn endemismo ibérico localizado, em Portugal na serra do Geres
  • A imponência e beleza da paisagem e do relevo do Parque Nacional da Peneda-Gerês não têm paralelo no País em território continental.
  • Apesar de todas as modificações verificadas em relação ao passado, o parque continua um lugar privilegiado onde garranos selvagens vivem em liberdade.
  • No Gerês, as colmeias são cobertas de colmo, como protecção contra os rigores do Inverno.
  • Os hábitos comunitários de vida das populações no Gerês têm vindo a perder-se por evolução própria ou como consequência de alterações provocadas pela construção de barragens dentro da área do parque em rios que o atravessam ou marginam, especialmente no Homem e Cávado.
  • Os abrigos de pastor, de pedra solta, são exemplos de arquitectura regional típica, um dos aspectos de grande interesse deste parque, que merece ser cuidadosamente defendido de quanto o adultera, como, por exemplo, a invasão de casas sem estilo definido.
  • A orientação do relevo, de natureza granítica, favorece uma queda pluviométrica acima de 2000 mm anuais, atingindo os máximos do continente.
  • A cabra selvagem do Gerês, uma das espécies extintas pela acção do homem.
  • Encontram-se no parque do Gerês importantes vestígios da vegetação arbórea espontânea que revestia o seu território, destacando-se entre as espécies os carvalhos (alvarinho, ou do Minho, e negral, ou da Beira), o vidoeiro e o teixo, além da presença rara do pinheiro silvestre e da abundância localizada do sobreiro.

 
Gerês: Caniçada

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