Vieira do Minho e a Misarela

Continuando o nosso percurso por terras onde se evoca Maria da Fonte, visitamos agora Vieira do Minho.Situada na antiga freguesia de Brancelhe, Vieira do Minho, uma povoação de casario incaracterístico é dominada pela serra da Cabreira. Sem monumentos apreciáveis, foi no entanto, bem dotada pela Natureza.

Na freguesia de Ruivães, a Ponte de Misarela, românica, sobre o rio Rabagão, confunde-se com as fragas de granito que se erguem no local.

Aqui se encontram o Castro de Vila Seca, excelente miradouro sobre a vila, e a gruta do Diabinho, no lugar de Cubos. Esta pequena gruta fica situada junto aos moinhos (alguns bastante típicos), entre penedias soberbas. É especialmente famosa por nela se ter acoitado o conhecido salteador local que foi crismado com o nome da gruta.

A influência do homem nesta região também deve ser conhecida: em Salgueiros ergue-se a Casa do Padre Casimiro, caudilho da Revolução da Maria da Fonte; na vila encontra-se o belo e frondoso parque florestal.

A Feira da Ladra de Vieira do Minho é uma feira franca que tem lugar no 1° sábado de Outubro e conta com uma corrida de burros entre os seus cartéis.

Locais a visitar nas terras de Maria da Fonte

Caniçada: pelourinho. Cantelães: ponte romana de Vila Seca, sobre o Ave, miradouro no alto do monte do Outeiro. Fonte Arcada: igreja românica. Lanhoso: ruínas do castelo, pelourinho. Parada de Bouro: pelourinho, ruínas de uma ponte romana sobre o Cávado. Rossas: pelourinho. Ruivães: pelourinho, Ponte de Misarela, troços de via militar romana. S. João de Rei: pelourinho, ruínas do monte Crasto. Taboudelo: Capela de S. Gonçalo. Taíde: Santuário da Senhora do Porto de Ave (séc. xvii). Verim: igreja românica (séc. XÍD. Vieira do Minho: Casa da Laje, Casa de Lamas.

Festas, feiras e romarias à volta de Vieira do Minho

Anissó: Romaria da Senhora da Esperança, no 1° domingo de Maio. Gui/hofrei: Romaria de S. Sebastião, no 1° domingo de Maio. Monsul: feira semanal às segundas-feiras; Romaria de Santlago, a 25 de Julho. Póvoa de Lanhoso: feira semanal às quintas-feiras; Feira e Romaria de S. José, a 19 de Março; Romaria da Senhora do Pilar, a 28 e 29 de Junho. Quinteto: feira a 25 de Março. Rendufinho: Romaria de S. Mamede, a 17 de Agosto. Rossas: feira quinzenal aos sábados. Salamonde: feira na última sexta-feira de cada mês; romaria no 1° domingo de Agosto. Santo Emilião: Romaria de S. Bento do Donim, a 17 de Junho. Taíde: Romaria da Senhora do Porto de Ave, de 8 a 12 de Setembro. Vieira do Minho: feira semanal às segundas-feiras; feira no 1° sábado de Outubro; Romaria da Senhora da Fé, no 1° domingo de Junho; Romaria de Nossa Senhora de Ordem, no 3° domingo de Junho.

O santuário da Senhora do Porto de Ave

O Santuário da Senhora do Porto de Ave, a 7 km da Póvoa de Lanhoso, sobre o rio Ave, data do século XVIII. Inspirados numa antiga imagem de Nossa Senhora do Rosário, a quem rezavam com o seu mestre-escola em meninos, naturais desta região enriquecidos no Brasil começaram a mandar dinheiro para a edificação do santuário.

Levantaram o templo e o arcebispo de Braga, D. José de Bragança, tomou posse dele em 1744. Além da igreja, de cabeceira octogonal, continua o santuário pela encosta acima com capelas ao longo de um escadório no género do Bom Jesus do Monte.

Nas capelas, figuras em tamanho natural descrevem-nos cenas da vida de Cristo, como a Natividade, a Circuncisão, a Apresentação no Templo, a Fuga para o Egipto, etc.

Todo o santuário é rodeado de grandes árvores, sobretudo carvalhos, castanheiros e sobreiros, que tornam o local extremamente agradável. Não sendo hoje já tão grande a devoção à Senhora do Porto de Ave, testemunhada por grande número de interessantes ex-votos, espalhados nas paredes da sacristia da igreja, continua, no entanto, a ser local de peregrinação das gentes das redondezas, sobretudo de 5 a 8 de Setembro.

Ruivães

Antiga vila que ainda conserva o pelourinho e onde se travou uma batalha das lutas liberais em 18 de Setembro de 1837, é também famosa pela macia e saborosa carne dos seus bois. Dos fartos motivos de interesse paisagístico há três que se sobrepujam: a Ponte de Misarela, românica, que, sobre o rio Rabagão, vence a profunda ravina cortada na rocha a pique e a que o povo chama Ponte do Diabo, por temer a velocíssima corrente que vem em catadupas no Inverno; o rio do Saltadouro, pequeno afluente do Cávado, nascido na serra da Cabreira, que, como o seu próprio nome indica, salta de pedra em pedra, formando ora belas cascatas, ora pequenos poços chamados localmente caldeirões, de que o mais conhecido é o Caldeirão do Poço Negro, no lugar de Zebral, e o Toco, um dos locais mais pitorescos da bela serra da Cabreira, onde ainda é possível encontrar lobos e raposas nas fragas alcantiladas e na densa mata de carvalhos.

Nos Ruivães, da Ponte de Misarela sobre o rio Rabagão, ficaram ainda memórias de chamadouros nocturnos.

Ponte da Misarela

As mulheres grávidas, com medo de abortar, dirigiam-se à ponte ao anoitecer e esperavam que se verificassem 2 coisas: que não passasse animal algum depois do pôr do Sol e que a primeira pessoa a passar se dispusesse a baptizar o feto que traziam no ventre.

Se tais condições se verificassem, o passante colheria um pouco de água do cimo da ponte usando uma vasilha segura por uma corda, e, logo ali regaria o ventre da mulher desenhando cruzes e pronunciando ao mesmo tempo o ensalmo:

“Eu te baptizo pelo poder de Deus e da Virgem Maria!
Padre-Nosso e Avé-Maria!
Se fores meninha (menina)
Serás Senhorinha;
Se fores rapaz
Serás Gervás (Gervásio)”.

Salamonde

Sobre a via romana que unia Braga a Chaves, e identificada por muitos autores como a antiga Galácia, Salamonde é hoje conhecida sobretudo pela barragem que tem o seu nome, construída em 1952 no rio Cávado.

Sem nenhum motivo de interesse artístico digno de referência, a freguesia possui, contudo, um local onde a Natureza é verdadeiramente espectacular: Fraga da Pena Má.

São dois enormes maciços de granito que se erguem a par numa altura de 70 a 80 m, alcantilados e com alguns arbustos nas frestas; no pequeníssimo espaço entre estas duas «colunas» despenha-se um regato, particularmente caudaloso no Inverno. Estas rochas são, segundo a crendice popular, um local onde se dão os «passes» para a cura de doenças em crianças dos 2 aos 5 anos; depois de uma «reza», tira-se à criança a camisa, que é atirada ao rio, enquanto se canta outra oração que faz passar a doença para a camisa perdida.

 


 

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